Plato Quotes

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Email recebido - Odalice Priosti - Roda de lembranças Sepetiba -I jornada de formação em museologia comunitária.

Prezadas Magali e Bianca

Recebi de Hugues de Varine as " Notas de visita " - sobre a I Jornada em Museologia Comunitária / o caso de Sepetiba que transcrevo abaixo, traduzidas. Espero que todos os grupos que tem em comum o ideal de restaurar Sepetiba possam se unir para se tornarem ainda mais fortes e conseguirem sucesso . O Ecomuseu de Santa Cruz coloca-se à disposição de todos para colaborar na elaboração do Projeto.

Grande abraço.

Odalice

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HdV / 26-11-09



Notas de visita

Ecomuseu da comunidade de Santa Cruz
22-29 outubro 2009

(...) O caso de Sepetiba
A visita aqo território e a Roda de depoimentos foi um dos momentos mais fortes das Jornadas. Há provavelmente naquele bairro bastante pessoas motivadas e competentes para construir um projeto comunitário de resistência e de participação para revitalizar /lançar o bairro ( pesca e lazeres) unindo-se a Zona Industrial de Santa Cruz e o conjunto habitacional de Nova Sepetiba.
O Ecomuseu de Santa Cruz poderia ajudar tal grupo a se formar e a elaborar um plano de ação?
Odalice me diz que há numerosas praias da Costa Verde que passam pelo mesmo problema de poluição. Não é possível evidentemente fazer um projeto para todas, mas ao menos no caso de Sepetiba poderia se fazer um projeto piloto ( " Sepetiba Limpa" ou "Sepetiba Verde") que mostraria o caminho às outras e traria lições de seu método de trabalho.

Eu me pergunto se seria completamente utópico propor às principais empresas industriais da zona de atividades de criar juntas uma fundação destinada a financiar a restauração do território de Sepetiba, a título de responsabilidade social dessas empresas e também para oferecer aos seus empregados um lugar de lazer e de férias.

Uma segunda etapa seria a de procurar inscrever o projeto SEPETIBA LIMPA no Plano Diretor Municipal do Rio de Janeiro como parte de um conjunto patrimonial de qualidade.

Enfim , um Ecomuseu de Sepetiba, diferente do Ecomuseu de Santa Cruz , mas associado a ele, e possuindo seus próprios recursos financeiros seria criado para levar e realizar esse projeto piloto.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Crepúsculo dos sábios - email enviado por Wlaumir Souza

O crepúsculo dos sábios


Apática, sem maravilhamento, a universidade pós-moderna se esqueceu de sua dívida simbólica com as gerações passadas



Olgária Matos
- O Estado de S.Paulo



- O conceito de universidade moderna e a natureza do conhecimento que ela produziu até os anos 1960 tinham por objetivo formar o cientista. Este representava o "mestre da verdade" porque capaz de compreender seu ofício na complexidade dos saberes e da história. Sua autoridade procedia de sua palavra pública, pela qual se fazia responsável. O cientista era o intelectual, e para ele a pesquisa não correspondia a uma profissão, mas a uma vocação. O conhecimento mantinha sua autonomia com respeito às determinações imediatamente materiais e do mercado. Sua temporalidade - a da reflexão - compreendia- se no longo prazo, garantidora da transmissão de tradições e de suas invenções.

A universidade pós-moderna, por sua vez, converte pesquisa em produção, constrangendo- se à pressa e à produtividade quantificada do conhecimento, adaptando-se à obsolescência permanente das revoluções técnicas, promovidas pelas inovações industriais segundo a lógica do lucro. A temporalidade do mercado confisca o tempo da reflexão, selando o fim do papel filosófico e existencial da cultura. Para a universidade moderna não cabia a pergunta "para que serve a cultura", mas sim "de que ela pode liberar". A universidade moderna elevava a sociedade aos valores considerados universais no concerto das nações que procuravam uma linguagem comum ao patrimônio cultural de toda a humanidade, devolvendo-o à sociedade com seus maiores cientistas e seus melhores técnicos. Essa foi a tradição de Goethe que havia formulado a ideia da Weltliteratur, da literatura universal como cosmopolitismo do espírito.

A universidade pós-moderna é a da indiferenciaçã o entre pesquisa e produção. O intelectual cultivado foi destituído - em todos os domínios do conhecimento - pelo especialista e seu conhecimento particularizado, cujo contato com a tradição cultural é episódico ou inexistente. Seu discurso não diz mais o "universal" e se limita a formulações técnicas, perdendo-se o sentido do conhecimento e seus fins últimos, com a passagem da questão teórica "o que posso saber" para a pragmática "como posso conhecer". Pra Gunther Anders, o emblema da conversão do intelectual em pesquisador, da razão crítica em desresponsablizaçã o ética e racionalidade técnica, foi Fermi na Itália e Oppenheimer nos EUA, cujas pesquisas sobre a bomba atômica foram tratadas por eles em termos estritamente técnicos.

A universidade pós-moderna não lida mais com as "grandes narrativas" nem busca a fundamentação do conhecimento e seus primeiros princípios. Como o mercado, se pauta pela mudança incessante de métodos e pesquisas. Nada aprofunda, produzindo uma cultura da incuriosidade, imune ao maravilhamento. Em sua pulsão antigenealógica, acredita que tudo o que nela se desenvolve deve a si mesma, não reconhecendo nenhuma dívida simbólica com as gerações passadas. Essa circunstância, por sua vez, pode ser compreendida no âmbito da massificação da cultura e da universidade.

Com a ditadura dos anos 1960 no Brasil, a universidade pública moderna - concebida de início para formar as elites governantes, a partir do ideário de universidade cultural, científica e com suas áreas técnicas - começa sua desmontagem, o que e resulta em sua massificação. Sob a pressão de massas historicamente excluídas dos bens científicos e culturais, bem como do sucesso profissional aferido pelo enriquecimento nas profissões liberais, a universidade pós-moderna acolhe populações sem o repertório requerido anteriormente para a vida acadêmica. Face ao ideário moderno baseado no mérito de cada um e não mais no sistema nobiliárquico do nascimento, e sua incompatibilidade com a desigualdade real de oportunidades para a ascensão social, a universidade pós-moderna questiona, contrapondo- os, mérito e igualdade, reconhecendo no primeiro a manutenção do regime de privilégios e distinções do passado.

Assim, a universidade atual adapta-se à fragilidade do ensino fundamental e médio, passando a compensar as deficiências dessa formação. Para isso, a graduação retoma o ensino médio, a pós-graduação a graduação, o doutorado o mestrado, cuja continuidade é o pós-doutorado, tudo culminando na ideia da "formação continuada" e de avaliações permanentes. Ao mesmo tempo, a ideia de pesquisa moderna anterior transforma-se em fetiche pós-moderno, tanto que a iniciação científica se faz para estudantes em preparação para a vida universitária adulta, mas constrangidos a publicações precoces. O paradoxo é grande, uma vez que, maiores as carências nos anos de formação do estudante - como a precariedade no acesso à bibliografia em idiomas estrangeiros e dificuldades de expressão oral e escrita na língua nacional -, mais estreitos são os prazos para a conclusão de mestrados e doutorados. Prazos e métodos, por sua vez, migram das disciplinas científicas para todos os campos do conhecimento, sob o impacto do prestígio da formalização do pensamento, como é possível reconhecer, em particular no estruturalismo e, mais recentemente, no linguistic turn, sua legitimidade garantida pelo rigor científico de suas formulações. Acrescente-se o abandono da ideia de rigor na escrita e o fim do estilo, com o advento do gênero paper e a multiplicação de congressos no mundo globalizado.

Massificada a cultura, proliferaram, com a ditadura militar, a privatização do ensino e seu barateamento, as universidades particulares - salvo as exceções de praxe - prometendo ascensão social e acesso ao "ensino superior" e decepcionando suas promessas. A universidade moderna que a antecedeu garantia o exercício da formação especializada e se encontrava na base dos cursos técnicos com formação humanista para todos os que não se encaminhavam para a pesquisa, devendo atender à profissionalizaçã o, mas também à felicidade do conhecimento.

A emergência da universidade pós-moderna diz respeito ao abandono dos critérios consagrados até então a fim de democratizá-la. Mas a democratização pós-moderna é massificação. A sociedade democrática comportava diversas representações das coisas: os partidos representavam as diferentes opiniões, os sindicatos os trabalhadores, a Confederação das Indústrias os empresários. Na sociedade pós-moderna, o consenso é produzido pela mídia e suas pesquisas de opinião, através da eficiência persuasiva da televisão, que primeiramente cria a opinião pública e depois pesquisa o que ela própria criou. Razão pela qual massificação significa perda da qualidade do conhecimento produzido e transmitido, adaptado às exigências de massas educadas pela televisão, com dificuldade de atenção e treinadas para a dispersão, mimadas por uma educação que se conforma a seu último ethos.

A cultura pós-moderna é a da "desvalorizaçã o de todos os valores". Sua noção de igualdade é abstrata, homóloga à do mercado onde tudo se equivale. Em meio à revolução liberal pós-moderna, a universidade presta serviços e se adapta à sociedade de mercado e ao estudante, convertido em cliente e consumidor, como o atesta a ideologia do controle dos docentes por seus alunos.

Em seu ensaio Filosofia e Mestres, Adorno diz, temendo incorrer em sentimentalismo, que o conhecimento exige amor. Sua universidade, a de Frankfurt, era moderna, humanista, como era humanista o professor de uma fita italiana dos anos 1970. No filme, estudantes impedem o franzino docente de literatura românica com seus compêndios eruditos de entrar na sala de aula onde discutem questões do curso. Sentado em um banco, o mestre escuta o vozerio e ruídos de cadeiras sendo arrastadas. Por fim é chamado e, quando entra, os estudantes em suas carteiras estão em círculo, e o professor senta-se entre eles. Discutem então o que o professor deveria ensinar-lhes. Como não chegam a nenhum consenso e o dia se faz crepuscular, decidem finalmente deixar que o professor se manifeste. Ao que o professor, retomando seu lugar junto à lousa e diante de todos, anuncia: "Estou aqui para ensinar a vocês a beleza de um verso de Petrarca".

Metáfora rigorosa para a educação, da escola maternal à universidade, o conhecimento, como escreveu Freud, é uma das tarefas mais nobres da humanidade no longo processo de sua humanização.


Professora de filosofia da USP
Fonte: jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, domingo, 15 de novembro de 2009,

sábado, 21 de novembro de 2009

A cena polêmica: O tapa de Lília Cabral em Taís Araújo...

Antes de qualquer coisa já vou iniciar esse pequeno, breve post me desculpando com aqueles mais radicais que possuem opiniões diferentes da minha.
Bem, gente essa cena entre Lília Cabral e Taís Araújo está dando muito mais polêmica do que o necessário, na minha humilde opinião eu acho que todo o contexto, a história em si devem ser analisados, não acho correto iserir a categoria "Racismo" naquela cena, o que eu enxergo ali, vejam bem ,"eu", é uma mulher( Personagem da Lília Cabral) completamente enciumada, na verdade ela ainda amava o ex marido e não aceitou a união dele, e não aceitaria mesmo que com outra mulher,uma mãe muito inconformada e buscando culpados para o que houve com a filha, e encontra com facilidade na personagem de Taís Araújo um ótimo "Jesus Cristo" para crucificá-la pelo o que aconteceu com a filha, então ela uniu o problema dela com a personagem de Táís como mulher, sua mágoa, seu recalque e a tragédia ocorrida com filha que ela a julga culpada, em minha humilde concepção foi isso...
Além disso,ao assistirmos uma cena e
acharmos um sentido final, quando ela é apenas uma parte de uma
obra maior, é "deveras" arriscado, ao menos eu penso assim. O significado pode estar mais nos olhos de quem assiste do que do "criador" .
Uma peça é composta de vários atos, não podemos julgar o significado, a mensagem que ela transmite assistindo apenas ao primeiro ato, do mesmo modo uma peça só completa sua sequência, fecha o seu ciclo de significação, assim como um filme, ou uma novela, após a decodificação de seus "significados" pelos seus expectadores. essa é a minha opinião...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA

{{RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA

Memórias dos pescadores
}}



No dia 25 de outubro de 2009, Sepetiba foi brindada pela presença dos participantes da I Jornada de Formação em Museologia Comunitária realizada pela SMC/ Coord. de Museus, Ecomuseu de Santa Cruz, NOPH, ABREMC, UMCO.

A inclusão do bairro no roteiro da Jornada através da realização da Roda de Lembranças no Centro Comunitário Santo Expedito proporcionou uma imensa alegria para aqueles que realmente defendem Sepetiba, reconhecem a importância do bairro e, principalmente sonham em ver o bairro senão como era antes, ao menos próximo do que desejam.

Os presentes tiveram o prazer de ouvir as narrativas de ícones locais, figuras quase emblemáticas como Seu Erasmo “o velho lobo do mar”, "Seu" Jorge Salviano estrelas de nossa roda de lembranças, além de moradores como Dona Ivonda, esposa de Sérgio Pinto,o próprio Sérgio Pinto, Conceição do Movimento Fé e política, Eliane Roxo (Fé e Política), Willian Coelho uma das lideranças locais, diga-se de passagem, a única a comparecer, infelizmente não pudemos contar com a presença de alguns líderes de organizações do bairro.

Compartilhamos vivências e histórias narrando a Sepetiba “de antigamente” descrevendo como se deu o rápido processo de degradação ambiental, o “esquecimento” das memórias, o desaparecimento das narrativas a respeito da história local dos discursos contemporâneos, e, nos surpreendemos quando uma participante do museu do Folclore de São José dos Campos - SP narrou sua experiência em Sepetiba durante a infância, que lhe causou uma cicatriz no dedo polegar, impressionada com a situação atual do bairro, das praias que ela havia conhecido em 1939 ficou muito emocionada e exaltou a memória local nos incentivando na preservação das narrativas, do meio ambiente e de todo patrimônio material, imaterial, tangível e intangivel que nos resta.

Nada mais justo aqui do que agradecer a Odalice Priosti e a Walter Priosti, aos professores Hugue de Varine e Teresa Morales(INAH-UMCO/México), aos representantes do Ecomuseu da Serra de Ouro Preto ( Yara Mattos, Bruno Bedim, Kátia Moreira e alunos da UFOP), a Patrícia Berg (UIMCA –RS), Bruno Cruz (NOPH/Ecomuseu), Rafael Muniz do Ecomuseu de Itaipu – PR, aos membros da equipe do Ecomuseu da Amazônia – Belém do Pará e, é claro, não podemos esquecer de agradecer a boa vontade desses homens que sempre lutaram por Sepetiba: "Seu" Erasmo e "seu" Salviano - ao movimento Fé e Política que cedeu o espaço para realização do evento, ao movimento Atitude Sepetiba por ter cedido o Som e o microfone - A presença de Claúdia representando a AMORES - aos poucos moradores (infelizmente) que compareceram prestigiando este evento tão significativo e de suma importância para o bairro.


Além da troca de experiências e do pronto apoio oferecido pelos membros das equipes dos ecomuseus participantes da Jornada, o evento também foi muito importante para nós, moradores de Sepetiba mais contemporâneos, pois ao ouvir os relatos, as narrativas, sentimos despertar um sentimento talvez um pouco adormecido: a auto-estima - enquanto moradores, muitas vezes nos sentimos um tanto o quanto desprezados pelas autoridades e até mesmo por moradores de bairros de outras regiões da cidade do Rio de Janeiro, contudo após a Roda de lembranças, concluímos que a situação de Sepetiba nem sempre foi essa que vemos agora, já tivemos notoriedade, Sepetiba já foi uma região disputada pelos chamados “veranistas” que muitas vezes não conseguiam alugar casas no bairro tamanha a procura, Sepetiba outrora fora freqüentada por figuras importantes, Personagens históricas passaram pelo bairro reconhecendo sua beleza e tranqüilidade, como D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, José Bonifácio, o Visconde de Sepetiba, Jean Baptiste Debret dentre muitos outros.

Enfim, as pessoas ao construírem histórias estão construindo a si mesmas e ao outro como seres sociais, pois as narrativas como uma forma de organização do discurso, têm o potencial de criar um sentido de nós mesmos ao permitir que negociemos e construamos as nossas identidades sociais por meio dos eventos narrados[1].

Narrar é construir-se, e não podemos deixar que as narrativas, patrimônio imaterial importantíssimo para a construção das identidades sejam perdidas, eventos deste tipo deveriam ser realizados regularmente, digo, Rodas de lembranças e de preferência com a presença dos jovens para que as narrativas não desapareçam.


Sepetiba é um bairro localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro onde ocorreram muitos eventos memoráveis no que concerne a formação do nosso país e a construção/formação da identidade nacional[2], é por meio da história que as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, culturais, guerras, mudanças comportamentais, econômicas, mudanças tecnológicas etc. Através da história local, um bairro ou uma cidade procura um sentido para sua própria natureza em mudança, em constante transformação e assim estabelecem-se os vínculos, necessários para mobilização e conseqüente desenvolvimento social de uma comunidade, de um povo. Thompson (1992)


[1] MOITA LOPES, L. P. da . Discursos de identidades. Campinas: Mercado de Letras, 2003, 153.

[2] Vale dizer que a memória e a identidade podem perfeitamente ser negociadas, e não são fenômenos que devam ser compreendidos como essenciais de uma pessoa ou de um grupo, porém acreditamos que quando um determinado grupo de pessoas não se sente integrado a um contexto social, cultural ou histórico específico pode conhecer um sentimento de descontinuidade e de ausência de referência incomodo e, muitas vezes desorientador, é o que ocorre com alguns moradores do bairro entrevistados.

RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA

{{RODA DE LEMBRANÇAS - SEPETIBA

Memórias dos pescadores
}}



No dia 25 de outubro de 2009, Sepetiba foi brindada pela presença dos participantes da I Jornada de Formação em Museologia Comunitária realizada pela SMC/ Coord. de Museus, Ecomuseu de Santa Cruz, NOPH, ABREMC, UMCO.

A inclusão do bairro no roteiro da Jornada através da realização da Roda de Lembranças no Centro Comunitário Santo Expedito proporcionou uma imensa alegria para aqueles que realmente defendem Sepetiba, reconhecem a importância do bairro e, principalmente sonham em ver o bairro senão como era antes, ao menos próximo do que desejam.

Os presentes tiveram o prazer de ouvir as narrativas de ícones locais, figuras quase emblemáticas como Seu Erasmo “o velho lobo do mar”, "Seu" Jorge Salviano estrelas de nossa roda de lembranças, além de moradores como Dona Ivonda, esposa de Sérgio Pinto,o próprio Sérgio Pinto, Conceição do Movimento Fé e política, Eliane Roxo (Fé e Política), Willian Coelho uma das lideranças locais, diga-se de passagem, a única a comparecer, infelizmente não pudemos contar com a presença de alguns líderes de organizações do bairro.

Compartilhamos vivências e histórias narrando a Sepetiba “de antigamente” descrevendo como se deu o rápido processo de degradação ambiental, o “esquecimento” das memórias, o desaparecimento das narrativas a respeito da história local dos discursos contemporâneos, e, nos surpreendemos quando uma participante do museu do Folclore de São José dos Campos - SP narrou sua experiência em Sepetiba durante a infância, que lhe causou uma cicatriz no dedo polegar, impressionada com a situação atual do bairro, das praias que ela havia conhecido em 1939 ficou muito emocionada e exaltou a memória local nos incentivando na preservação das narrativas, do meio ambiente e de todo patrimônio material, imaterial, tangível e intangivel que nos resta.

Nada mais justo aqui do que agradecer a Odalice Priosti e a Walter Priosti, aos professores Hugue de Varine e Teresa Morales(INAH-UMCO/México), aos representantes do Ecomuseu da Serra de Ouro Preto ( Yara Mattos, Bruno Bedim, Kátia Moreira e alunos da UFOP), a Patrícia Berg (UIMCA –RS), Bruno Cruz (NOPH/Ecomuseu), Rafael Muniz do Ecomuseu de Itaipu – PR, aos membros da equipe do Ecomuseu da Amazônia – Belém do Pará e, é claro, não podemos esquecer de agradecer a boa vontade desses homens que sempre lutaram por Sepetiba: "Seu" Erasmo e "seu" Salviano - ao movimento Fé e Política que cedeu o espaço para realização do evento, ao movimento Atitude Sepetiba por ter cedido o Som e o microfone - A presença de Claúdia representando a AMORES - aos poucos moradores (infelizmente) que compareceram prestigiando este evento tão significativo e de suma importância para o bairro.


Além da troca de experiências e do pronto apoio oferecido pelos membros das equipes dos ecomuseus participantes da Jornada, o evento também foi muito importante para nós, moradores de Sepetiba mais contemporâneos, pois ao ouvir os relatos, as narrativas, sentimos despertar um sentimento talvez um pouco adormecido: a auto-estima - enquanto moradores, muitas vezes nos sentimos um tanto o quanto desprezados pelas autoridades e até mesmo por moradores de bairros de outras regiões da cidade do Rio de Janeiro, contudo após a Roda de lembranças, concluímos que a situação de Sepetiba nem sempre foi essa que vemos agora, já tivemos notoriedade, Sepetiba já foi uma região disputada pelos chamados “veranistas” que muitas vezes não conseguiam alugar casas no bairro tamanha a procura, Sepetiba outrora fora freqüentada por figuras importantes, Personagens históricas passaram pelo bairro reconhecendo sua beleza e tranqüilidade, como D. João VI, D. Pedro I, D. Leopoldina, José Bonifácio, o Visconde de Sepetiba, Jean Baptiste Debret dentre muitos outros.

Enfim, as pessoas ao construírem histórias estão construindo a si mesmas e ao outro como seres sociais, pois as narrativas como uma forma de organização do discurso, têm o potencial de criar um sentido de nós mesmos ao permitir que negociemos e construamos as nossas identidades sociais por meio dos eventos narrados[1].

Narrar é construir-se, e não podemos deixar que as narrativas, patrimônio imaterial importantíssimo para a construção das identidades sejam perdidas, eventos deste tipo deveriam ser realizados regularmente, digo, Rodas de lembranças e de preferência com a presença dos jovens para que as narrativas não desapareçam.


Sepetiba é um bairro localizado na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro onde ocorreram muitos eventos memoráveis no que concerne a formação do nosso país e a construção/formação da identidade nacional[2], é por meio da história que as pessoas comuns procuram compreender as “revoluções” e mudanças por que passam em suas próprias vidas: transformações sociais, culturais, guerras, mudanças comportamentais, econômicas, mudanças tecnológicas etc. Através da história local, um bairro ou uma cidade procura um sentido para sua própria natureza em mudança, em constante transformação e assim estabelecem-se os vínculos, necessários para mobilização e conseqüente desenvolvimento social de uma comunidade, de um povo. Thompson (1992)


[1] MOITA LOPES, L. P. da . Discursos de identidades. Campinas: Mercado de Letras, 2003, 153.

[2] Vale dizer que a memória e a identidade podem perfeitamente ser negociadas, e não são fenômenos que devam ser compreendidos como essenciais de uma pessoa ou de um grupo, porém acreditamos que quando um determinado grupo de pessoas não se sente integrado a um contexto social, cultural ou histórico específico pode conhecer um sentimento de descontinuidade e de ausência de referência incomodo e, muitas vezes desorientador, é o que ocorre com alguns moradores do bairro entrevistados.

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