Agência Rio de Notícias

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A filosofia da educação segundo Paulo Ghiraldelli, o PDE e suas considerações




A filosofia da educação segundo Paulo Ghiraldelli, o PDE e suas considerações.


Um dia desses estava fazendo uma pesquisa no site youtube, postando alguns vídeos, procurando outros etc., ai encontrei uma série de vídeos do filósofo Paulo Ghiraldelli, muito interessante por sinal, dentre eles alguns em especial me chamaram atenção, como uma série denominada de “O que é filosofia” e outra “O que é democracia” e esta que estarei transcrevendo a seguir “Filosofia da educação” e “PDE”.


PDE é o plano de desenvolvimento da educação, que foi lançado pelo MEC na gestão do ministro Fernando Haddad, que segundo Ghiraldelli, o procurou para que o mesmo fizesse uma meta crítica do plano, uma avaliação geral do plano, de modo que isso pudesse indicar para o MEC como que o plano poderia ser alterado ou não e de certo modo encaminhado, Girardelli ressaltou que a sua militância filosófica, a sua posição filosófica para a crítica do plano, não o permite abrir mão de alguns princípios, de modo que concordando ou discordando do plano, ele não abriria mão de pelo menos cinco pontos fundamentais para a melhoria da educação brasileira.

O primeiro ponto que ele coloca como necessário para todas e quaisquer discusões sobre a educação no Brasil é a questão da profissão do professor, quanto vale ser um professor, ele coloca que não podemos comparar a profissão de professor com a de outro trabalhador, porque o professor tem um gasto diferenciado, necessidades especifias para a sua atualização e para a realização de seu “trabalho” com qualidade, pois ele deve ser um intelectual da cultura, sem ser um intelctual da cultura ele não pode ser um professor, sem ser um intelectual da cultura ele não pode desempenhar o seu trabalho de professor cmo o êxito esperado, por isso um professor precisa de um salário que não só o proporcione condições de sobrevivência, mas também de vida cultural como um intelectual. Em parte concorod com essa colocação de Ghiraldelli, é realmente necessário um resgate e uma valorização para com a profissão professor, algumas medidas já vêm sendo tomadas ,como por exemplo o incentivo através de uma bolsa no valor de 350 reais para alunos de licenciatura que entrará em vigor em 2008, contudo sabemos que não é o bastante, e o profissional docente que já está dando aula, expondo-se a condições de trabalho precaríssimas, como fica a sua situação?
Um segundo ponto fundamental de acordo com Ghiraldelli é a fixação do professor na escola, um professor não pode peregrinar de escola em escola, ele fala de metas para que se possa colocar os professores nas escolas fixos, em um curto período de tempo, para que o professor sinta que a escola é dele, e assim possibilitar a realização de uma educação individualizada, onde a escola, seu lugar de trabalho seja o lugar onde ele sinta-se em casa.
O terceito ponto fundamental para o desenvolvimento da educação é que o professor não seja alguém que escuta sobre o ensino apenas, ele pode fazer isso também, mas antes de tudo, ele deve ser um educador que conhece a matéria que leciona, um professor do ensino fundamental dos primeiros nove anos precisa “saber” ciências, história, matemática, geografia, português etc, pois ele não é só um alfabetizador, nem alguém formado em pedagogia que pode dar apenas pinceladas em matérias, de forma superficial, ele precisa saber ‘bem” as matérias, e neste caso Ghiraldelli coloca que é necessário reativar as licenciaturas, o curso de pedagogia, e reconstruir a escola normal de nivel médio, porque pode ser ela que vai fornecer os elementos para o contraturno, os professores para atuarem no contraturno e pode ser ela que irá fornecer os professores para educação infantil, também porque agora aumentou-se de oito para nove anos a educação básica, temos um ano a mais em educação infantil que pode ser o elemento de trabalho para o professor da escola normal de nível médio. Temos de reconstruir estas instituições de formação de professores, e temos de reconstruí-las em cima da idéia de que o professor precisa dominar a sua disciplina ou as suas disciplinas, as disciplinas que ele ministra nas escolas onde atua.
O quarto item diz respeito às licenciaturas em geral, nós precisamos regrar as licenciaturas de modo que elas formem realmente o professor e neste sentido precisamos definir o que é ensino a distância de fato, ou melhor, dizendo, o que significa distância no ensino a distância, porque nós não podemos admitir que a distância não seja realmente uma distância que valha a pena ter ensino virtual, o ensino virtual pode, se não respeitar a idéia do que é distância, matar uma faculdade que já existe de acordo com o filósofo, e isto tudo pode gerar uma grande falcatrua no Brasil e um grande alijeiramento da formação do professor, piorando ainda mais as codições da licenciatura.
O quinto ponto essencial que ele coloca é o que nós não podemos de forma alguma desprezar a relação entre o PIB e o gasto em educação, pois se o PIB aumenta consequentemente nós devemos gastar mais em educação, e nós não podemos de maneira nenhuma nos comparar a outros países, porque a nossa situação no que concerne a educação é pior do que a de outros países dos quais possamos nos comparar, então estes pontos são pontos que devemos insistir em qualquer plano, segundo Gihaldelli eles devem ser o norteador em qualquer análise de proposta educacional.
Devemos lembrar que, mesmo expondo todas estas questões, ou melhor, estes cinco pontos fundamentais em seu vídeo, Ghiraldelli esqueceu de mencionar algumas outras questões, não só o ensino à distancia tem prejudicado a formação de professores, causando como ele diz um “alijeiramento” na formação e consequentemente precariedade da mesma, os cursos tem sido drasticamente diminuídos, encurtados, por exemplo, os cursos de licenciatura tem em média somente tres anos de duração, sou graduada em ciências sociais e sinto que minha formação infelizmente foi deficinete, ainda tenho muito o que aprender, hoje encontramos em cada esquina novas universidades, um verdadeiro Fast food educacional e se isso ocorre no ensino superior imagine no que concerne ao ensino médio e fundamental? Devido à precariedade e falta de segurança nas escolas da rede pública de ensino, alguns pais se vêm obrigados a estar matriculando seus filhos em escolas particulares, de origem duvidosa, pois além de tudo é muito fácil conseguir uma autorização para o estabelecimento de instituições educacionais eu mesma conheço uma série de escolas que não tem a minina condição de estarem ativas, em funcionamento, aliás, nunca as possuiram, mas muitos pais sem dispor de condições acabam se tornando refens desse ensino precário, pois não tem condições de pagar as mensalidades de uma escola do nível de um Santo Inácio (RJ), por exemplo, ou de qualauer um desses “sãos” que estão a anos por ai e já se tonaram tradição. E essa falta de seguranaça também atinge o profissional docente, que muitas vezes se vê ameaçado no cumprimento de seu trabalho por alunos, sofrendo agressões fisicas e verbais sem ter como reagir as mesmas. Muita coisa tem que ser revista, cobrada, a educação no Brasil é um fator de emergencia, mas trata-se de um problema macro, que não se restringe somente a desestruturação familiar, a falta de um bom plano educacional ou ao cumprimento dos PCNs, valorizaão dos professores etc trata-se de um problema estrutural de proporções indescritiveis e que vem tomando forma desde o surgimento do capitalismo.

A filosofia da educação segundo Paulo Ghiraldelli

Para Ghiraldelli a filosofia da educação é a desbanalização da banalização da educação, muitas vezes a educação, o ensino, a escola, a atividade do professor, são tomados como coisas banais, faz parte da filosofia da educação desbanalizar isto, tornar isso estranho, de modo que as pessoas comuns possam voltar a prestar atenção na filosofia da educação e nestes elementos da filosofia da educação, Mas o que podemos fazer através da filosofia da educação para chamarmos atenção para elementos educacionais de modo que as pessoas estranhem estes elementos?
De acordo com ele basta tornarmos estes elementos não mais banais, por exemplo, a escola, a maioria das pessoas acreditam que a escola é um local onde as crianças devem ser encaminhadas necessariamente, no entanto há aqueles que não acham a escola necessária na formação dos indivíduos, quem acredita nisso?
O direito a educação é indiscutível, ninguém imagina que alguém possa reclamar da existência deste direito,no entanto há filósofos que discordam disto, que nos mostram um certo estranhamento quanto a escola, como por exemplo Rousseau, e em certos momentos até mesmo Paulo Freire.
Rousseau fez com que as pessoas estranhassem a educação, com o seu romance “ O Emílio” ele conta a historia de um garoto que é educado de forma natural, de modo que o lema do “mestre” deste menino é mais ou menos assim: “nada que Emílio vá aprender é algo que ele tenha que receber, ele primeiro deve inventar, descobrir, para depois aprender.
O “mestre” de Emílio diz o seguinte no romance de Rousseau: “Emílio não vai olhar para o céu, para as estrelas sem antes inventar o telescópio...” Rousseau não fala isso de modo literal, trata-se de uma metáfora.Uma metáfora para dizer que Emílio deve primeiro aguçar a sua criatividade natural e depois então a sua capacidade de receber o que vem de fora Rousseau está com isso tentando fazer com que nós estranhemos a educação de sua época, uma educação voltada para a memorização e o recebimento de situações exteriores ao estudante, fazendo está metáfora Rousseau nos aguça para uma situação nova da educação, fazendo com que estranhemos aquela nossa educação baseada na memória e no receber algo exterior, por ter colocado, nos mostrado um modelo onde há primeiramente a criatividade, a comparação dos dois modelos faz com que a educação possa ser estranhada, comparada, a educação deixa de ser algo banal por conta da comparação e ai então Rousseau faz filosofia da educação.
Rousseau viveu no século XVIII, mas há outro filósofo da educação que vivei no século XX e criou uma situação de desbanalização de algo, Ivan Illich, que foi reitor de uma universidade em porto Rico e como reitor ele apareceu para fazer um discurso e disse “ Nós temos que vier em uma sociedade sem escolas”, as pessoas estranharam, ficaram perplexas, como uma sociedade sem escolas é possível? Como um filósofo da educação pode falar isso?
Ao dizer isto o que ele deveria desejar transmitir?
Que talvez as nossas escolas não sejam tão boas, talvez para aprender nós possamos fazer coisas diferentes do que fazemos nas escolas, e então ele segue a risca um programa de confiança nos meios de comunicação, no autoaprendizado, para que? Para forjar, para criar uma falsa impressão de que ele está advogando uma sociedade sem escolas e na verdade não está?
Ele está sim, advogando uma sociedade sem escolas, mas a questão não é essa, a questão principal é tirar o discurso a sociedade com escolas como sendo obrigatória como um discurso que fica sendo corriqueiro, o único possível o banal, então desbanalizando o banal ele faz filosofia e faz filosofia da educação.
Há outro filósofo da educação do século XX que também cria uma situação de desbanalização do banal, neste caso o banal será o ensino, a forma de ensino, o ensino em que o professor vai a sala de aula, sem consultar o aluno, deposita o conhecimento em algo chamado banco, esse banco é o aluno, o aluno recebe o conhecimento sem demais questionamentos e é esta a chamada educação bancaria por Paulo Freire, a quem aqui nos referimos.
Paulo Freire chama educação em geral de educação bancaria e coloca em oposição a esse modelo educacional a educação libertadora, ele acredita na eficácia da educação libertadora, ele quer dizer que todo o nosso sistema de ensino está errado, porém neste discurso algo a mais está implícito, ele quer dizer também para vermos como a educação não é algo banal, ele diz que o que ocorre nas escolas é a educação bancária e oferece um outro modelo, a educação libertadora para contrapor, neste momento ele desbanaliza o ato educativo.Ele desbanaliza um dos elementos educacionais, o próprio ensino.
Em geral os filósofos dizem que a filosofia da educação ora fundamenta a teoria educacional, a pedagogia, ora a justifica, justifica a teoria educacional. Girardelli adota também esta posição, mas ele acopla esta definição da filosofia da educação a dele de desbanalização da educação, do ato educativo, da escola; ele também trabalha com a idéia de filosofia da educação como fundamento, e filosofia da educação como justificação, mas chama a atenção para o problema de discernir o que é uma e o que é outra.
Em seu livro “Filosofia da educação”,Ghiraldelli expõe a sua compreensão da filosofia da educação fundamentadora e da filosofia da educação justificadora.

O que é uma e o que é outra?
A filosofia da educação que serve de fundamento, ou que pretende servir de fundamento para a teoria educacional, trabalha com a noção de essencia, ela procura um elemento que é essencial ao homem ou a sociedade ou a educação e a partir desta essencia, diz que a essencia fundamenta o ato educativo que ela está propondo, suponhamos que esta essencia seja a essencia de homem, e que esse essencia de homem para uma determinada filosofia seja a razão, a atividade racional, então a filosofia da educação tem que ser racional para fundamentar uma pedagogia racional, suponhamos agora que a essencia de homem seja a liberdade, então a filosofia da educação tem que promover a liberdade para fundamentar uma pedagogia que desenvolva uma didática libertária, e assim por diante, então devemos sempre acreditar que existe uma essencia ou na sociedade ou no homem que vai ser o fudamento educacional, e isto é a propria filosofia da educação, este fundamento é para dar as bases para a pedagogia para a teoria educacional, para o ato educativo, o que é diferente no caso de uma filosofia da educação apenas justificadora, que é a tendencia das filosofias contemporaneas que tendem a não ser fundamentadoras.

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