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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A QUESTÃO DA FOME NO BRASIL

Email enviado por:[APSERJ] A questão da fome no Brasil - Maurício Fabião

Terça-feira, 20 de Outubro de 2009 13:38
De: "Maurício Fabião"



A QUESTÃO DA FOME NO BRASIL


Por Maurício Fabião[1]

Rio, 20 de outubro de 2009.



E

16 de outubro de 2009 celebrou-se o Dia Mundial da Alimentação com a naturalização de uma questão alarmante: 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo, muitas por conta da Crise Mundial, que consumiu trilhões de dólares para salvar os “apostadores” do cassino financeiro que a causaram.



Neste contexto, cerca de 14 milhões de brasileiros (7,7% da população nacional) sofrem de insegurança alimentar grave[2], ou seja, não tem certeza de que conseguirão se alimentar adequadamente no decorrer do dia. A maioria delas vive no Nordeste (7.240.852 pessoas), representando 14,4% dos famintos desta região do Brasil, que é o 9º país com maior número de pessoas com fome no mundo. Outros dados de nosso país também preocupam: 37 milhões de pessoas vivem com menos de 2 dólares por dia, 45% das crianças com menos de 5 anos sofrem de anemia crônica por falta de ferro na alimentação e 50 mil crianças nascem todos os anos com algum tipo de comprometimento mental devido à falta de iodo na alimentação.[3]



A fome não provém somente da falta de alimentos, mas, sobretudo, da desigualdade social que gera a miséria, a qual pode ser considerada como a violação de direitos sociais, previstos no artigo 6º da Constituição Brasileira, tais como: a educação, a saúde, o trabalho, a moradia e a segurança, dentre outros. Neste sentido, 72 milhões de brasileiros (40% da população) se encontram em algum nível de insegurança alimentar[4].



O difícil é aceitar que um país que é recordista de produção de alimentos, com os 75 milhões de toneladas de grãos produzidos por ano para alimentação animal na Europa e Estados Unidos, não consiga alimentar a sua população. Um dos motivos é a concentração de terra: cerca de 1% dos proprietários rurais detêm 46% de terras no Brasil e dos 400 mil hectares que são propriedades privadas, somente 60 milhões são utilizados para lavoura. Existem 5 milhões de famílias de trabalhadores rurais que vivem como arrendatários, posseiros ou com propriedades de menos de 5 hectares.[5] Ou seja, são trabalhadores “sem terra”.



A questão da fome no Brasil pode ser resolvida se a sociedade fizer a sua parte, como anunciava o sociólogo Herbert de Souza (o Betinho), em todo o Brasil. Não precisa ser governo para construir políticas públicas que apontem para o caminho do fim da fome e da miséria. Esse é um dever de todo cidadão. Seja uma ação de caridade ou uma reivindicação de um direito social, cada um está convidado(a) a se engajar na luta por um outro mundo possível. Faça a sua parte!







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[1] Maurício França Fabião é mestre em ciências sociais, especialista em questões sociais e professor de sociologia. Contatos: mauriciofabiao@ hotmail.com. Mais informações: http://mauriciofran cafabiao. blogspot. com.

[2] Cf. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão/ Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio 2004 – Segurança Alimentar. Rio de Janeiro: 2006.

[3] Cf. Action Aid Brasil, disponível em 20/10/2009, http://www.actionai d.org.br.

[4] Cf. Folha de S. Paulo (18/05/2006) , disponível em 20/10/2009, http://www1. folha.uol. com.br/folha/ brasil/ult96u786 78.shtml.

[5] Cf. Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), apud http://www.pime. org.br/mundoemis sao/fomemiseria. htm, disponível em 20/10/2009.

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