Agência Rio de Notícias

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Foi no governo do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) que o Brasil se ingressou na economia globalizada, onde permitiu-se a entrada do capital estrangeiro, de empresas multinacionais e o aparecimento da privatização. Essa economia globalizada se intensificou no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso que mostrou ao Brasil a necessidade de se modernizar para poder afirmar-se como um estado que possui uma economia global.
Em nome da economia global implantou-se, com o auxilio da mídia, o espírito de convencimento onde uma boa quantidade do povo brasileiro foi convencido de que a produção importada é superior a produção nacional. E para que a produção internacional entrasse no Brasil, tiveram que ser abertas as fronteiras de mercado, ou seja, é possível dizer que a sociedade global imposta pela política Neoliberal teve quebrar barreiras e distancias tanto no âmbito geográfico, social, cultural, político, econômico e educacional.
A globalização é um fenômeno que invade os contextos locais. E nas relações entre globalização e educação as políticas educacionais tendem à transformar-se em um comércio e uma mercadoria. A globalização não dá resultados iguais para todos os países, porque ela é um processo irreversível onde os países periféricos foram atingidos de forma dura pelas profundas e grandes mudanças no mercado de trabalho. Assim sendo, os paises não periféricos, ou seja, os paises dominantes, julgam e querem nos alienar através do convencimento de que em âmbito nacional o Brasil não é e nunca será capaz de criar e desenvolver uma nova tecnologia igual ou até mesmo melhor do que a existente fora do país.


"Vamos fazer uma pequena viagem no tempo e lembrar das cenas de trabalhadores quebrando as máquinas que pareciam escravizá-los às primeiras fábricas, na Grã-Bretanha do início do século XIX, durante a 1ª Revolução Industrial. Mais adiante, quem não assistiu a um filme sobre os milhões de imigrantes europeus zarpando para a América, em geral expulsos do campo por conta da mecanização da agricultura, no início do século XX, e que se aglomeravam em guetos sórdidos de Nova York (que tal o desenho Fievel, dos estúdios Walt Disney?). Lá, esperavam “fazer a América”, encontrando do outro lado do Atlântico o trabalho que haviam perdido na Europa da 2ª Revolução Industrial. No Brasil, dezenas de milhões de pessoas têm histórias a contar sobre avós e bisavós desembarcando no porto de Santos, em busca da (improvável) felicidade nos campos de café ou nas fábricas têxteis.Pois a 3ª Revolução Industrial – o coquetel entre desenvolvimento tecnológico acelerado, o fim do bloco socialista (que desorganizou a economia em uma larga porção do globo), a liberdade absoluta do capital e a reorganização produtiva em escala jamais vista também jogou para o alto a vida estável de imensas multidões. Como ocorreu com a 1ª e a 2ª Revoluções industriais, a Globalização que vivemos representou a transferência brutal de riquezas de uma parte da sociedade, em direção ao grande capital financeiro, que, via investimentos – principalmente nas bolsas de valores –, fornece às empresas os recursos necessários a um desenvolvimento cada vez maior e a uma competição cada vez mais acirrada. Como também ocorrera nas Revoluções Industriais anteriores, a Globalização trouxe novas oportunidades para muita gente. E trouxe a miséria e o desespero para uma parte importante dos passageiros do planeta Terra. O avanço da robotização e da informática reduziu de forma considerável a oferta de empregos na indústria. Observemos o caso de alguns países desenvolvidos. O Japão tinha, em 1980, 35,3% da População Economicamente Ativa (PEA) alojada no setor industrial. Nove anos depois, a fatia caíra para 34,3% e, em 2000, representava 31,2%. Na França, o tombo foi ainda maior, de 35,9% (1980) para 30,1% (1989) e 24,5%, em 2000.
Pode-se imaginar o que representa o fechamento de uma fábrica, ou a substituição de centenas de empregos, para regiões que sempre viveram ao redor dessa atividade. O filme inglês Ou tudo ou nada, que ganhou um Oscar, narra a desagregação de uma pequena cidade, na qual gerações de trabalhadores ganharam a vida em uma mesma fábrica, que fecha as portas.Economistas liberais argumentam que a 3ª Revolução Industrial/Globalização pode destruir empregos ali, mas os cria acolá. Por exemplo, no setor de serviços. É verdade que parte do sumiço dos empregos industriais deve-se à terceirização de certas atividades, como a alimentação dos trabalhadores, a segurança da fábrica, o marketing e design dos produtos. O processo engrossa o setor de serviços. Acredita-se, inclusive, que o trabalho intangível (design, marketing, jurídico etc) represente, em alguns casos, até 75% do custo final de um produto. No início dos anos 70, apenas os EUA e o Canadá contavam com mais de 60% da PEA no setor terciário (serviços). Em 1990, 12 países haviam rompido essa marca.Também é fato que a Globalização gerou imensas oportunidades nas áreas de tecnologia da informação ou comércio exterior. Países como a Irlanda, Israel e a Índia encontraram na produção de softwares um novo rumo para o desenvolvimento. A economia irlandesa cresceu 7,7% ao ano entre 1991 e 2000, contra a média de 1,9% registrada pelos países que aderiram ao euro, a moeda única da União Européia. Isso fez com que a taxa de desemprego entre os irlandeses despencasse de 13% para 4,3% no período. O governo da Alemanha, de sua parte, ofereceu na virada do século XXI uma quota de dez mil vistos de trabalho para pesquisadores indianos, especializados em tecnologia da informação. E o pólo de alta tecnologia de São Carlos, no interior de S. Paulo, um dos mais importantes da América Latina, oferece grandes incentivos para atrair pesquisadores e engenheiros de outras regiões.Mas estamos falando de exceções, pelo menos até o início do século XXI, quando este texto sai do teclado de um valente computador IBM (coisas de Da. Maria do Carmo da Globalização, já que escrevi meu primeiro livro, em 1989, em uma vetusta máquina de escrever Remington...). A lógica da 3ª Revolução Industrial – redução de custos/aumento da produtividade/desenvolvimento tecnológico/reorganização geográfica da produção – tem implicado a destruição maciça de empregos. “São opções de organização econômica baseadas na maximização da produtividade de uma minoria altamente tecnicizada”, diz o economista Ladislau Dowbor, lembrando que, na era da globalização, convivem workaholics enlouquecidos e multidões de sem-emprego. (...)Para os analistas liberais, a tendência é de que a modernidade vá, gradualmente, se impondo e contaminando positivamente as sociedades. Até agora, porém, o que se vê é exatamente o contrário. Sob o império da “mão invisível”, da liberdade quase absoluta do capital, que se impôs com a Globalização e o fim da Guerra Fria, as fraturas só têm crescido". leia este texto na íntegra em :

http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/show_news.asp?n=209&ed=2

http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/show_news.asp?n=199&ed=2

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