Agência Rio de Notícias

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Algumas considerações sobre globalização...


Globalização é o conjunto de transformações na ordem política e econômica mundial que vem acontecendo nas últimas décadas. O ponto central da mudança é a integração dos mercados numa verdadeira “aldeia-global”, explorada pelas grandes corporações internacionais. Os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias para proteger sua produção da concorrência dos produtos estrangeiros e abrem-se ao comércio e ao capital internacional. Esse processo tem sido acompanhado de uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones, computadores, televisão, a nanotecnologia etc.
As fontes de informação também se uniformizam devido ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa homogeneização cultural entre os países.
A globalização é marcada pela expansão mundial das grandes corporações internacionais. A cadeia de fast food McDonald’s, por exemplo. Essas corporações exercem um papel decisivo na economia mundial.
A globalização significa sermos mais eficientes, administrarmos melhor; significa uma realidade, mas, traz para um país emergente como o Brasil, um dos problemas mais sérios que é o desemprego, que estamos vendo aumentar dia-a-dia. É evidente que nenhum de nós se atreveria a dizer que é contra nos modernizarmos, sermos mais eficientes, termos uma organização mais séria, mais acesso à informação. Infelizmente, com a globalização, criam-se também as grandes fusões. Atualmente, o que vemos são essas fusões gigantescas (Unilever etc).
A globalização é mais evidente sob o aspecto econômico (e partindo-se do mundo do trabalho). Começa com as exigências de um trabalhador multifuncional, polivalente. Seu espaço no interior da empresa muda constantemente por isso deve estar preparado para exercer várias funções. Já a redução do emprego regular, faz este trabalhador passar por várias outras empresas/serviços/cargos, pela terceirização do trabalho; e, o desemprego o leva para outras cidades, estados, países (norte –nordeste para o sudeste / Brasil para os EUA e a Europa). Um movimento constante. O "telecommuter" (trabalhador que não comparece à sede da empresa), trabalha em casa, em escritórios satélites ou em centros de trabalho, apenas acessando ao "servidor"da empresa podemos observar os bons resultados da globalização e da difusão das tecnologias em parte com o recente caos aéreo que forçou muitos empresários e outros profissionais a optarem por videoconferências ao invés de aventurar-se em aeroportos.
Os produtos. Muitas vezes não sabemos onde começa ou termina a fabricação de um produto. Se com um trabalho dignamente remunerado, ou escravo ou até mesmo infantil como nos casos da Nike dentre outras empresas que se instalam em países pobres buscando o menor gasto possível com mão de obra, utilizando a mão de obra infantil mal remunerada, e extensas jornadas de trabalho muitas vezes retornando ao período do inicio da revolução industrial, mais de 10 horas e até mesmo chegando à 16hs de trabalho por dia.
E em pleno século XXI tivemos a tristeza de conferir a utilização de trabalho escravo em fazendas produtoras de carne bovina, açúcar e álcool, como a fazenda Gameleira em matéria publicada na revista época, sem contar com um outro efeito da globalização que a utilização de trabalho semi-escravo de imigrantes coreanos e provenientes de outros países da América latina em confecções em cidades brasileiras que vem para o Brasil buscando melhores condições de vida e ao chegarem aqui se deparam com outra realidade, sendo mantidos em cárcere até quitarem suas dívidas com o suposto agenciador e vivendo em condições insalubres, fazendo suas refeições no mesmo local onde trabalham.além é claro da recente constatação de angolanos que vem para o Brasil praticarem crimes de estelionato e tráfico, franceses etc (efeitos da globalização, da chamada pobreza estrutural, que é global). Matéria-prima, produção, distribuição em mãos diferentes. Do vestuário ao automóvel, um lugar corresponde a um pedaço produzido de um determinado produto. O mundo globalizado é o reino das Corporações Transnacionais. O monopólio supera os limites geográficos e está disperso em "n" locais; elas produzem de tudo. Preocupação: gerar necessidades de consumo, alcançar o máximo lucro e ter o menor gasto na produção.
O problema se resume naqueles outros países em que não houve o Estado Social ou welfare state, como no Brasil, onde, se existiu, foi para as elites e às camadas médio superior da sociedade, as quais se apropriaram/aproveitaram do Estado, privatizando-o.
A doutrina econômica dominante que afligi o mundo globalizado é aquela que prevê um Estado interferindo minimamente na economia. Para ela, a interferência do Estado na economia é ruim. Portanto, a economia deve ser desregulamentada em vez de ser controlada por ele. As empresas públicas e estatais devem ser privatizadas em benefício da economia de mercado. Todos devem entrar na luta pela liberdade do capital, não importando qual a atividade ou o setor, se na atividade bancária, industrial, telecomunicações ou seguros.
Na luta em busca dos lucros, os próprios investidores do mercado dão preferência às economias mais fortes, em detrimento das mais fracas. Países de economias frágeis, como o Brasil, por exemplo, pagam juros imensamente mais altos aos investidores de capitais, nesse cálculo, está incluído o risco. Isso também ocorre com os países pequenos, porque quanto menor for o mercado, maior será o risco. Assim, os países de economias robustas têm preferência sobre os demais, independentemente de sua conjuntura interna. Esse é um dos fatores que provocam conflitos entre as nações e que fogem a possibilidade administrativa de seus governantes, pois sempre se deve ter em vista que os aplicadores de capitais não estão interessados em justiça, em leis, nem tampouco preocupados com o caos econômico.
Por isso, os países de economias fortes não precisam ter medo do julgamento do mercado econômico, uma vez que estão numa situação privilegiada. As riquezas, dessa forma, passam para as mãos de poucos, enquanto a grande maioria acaba sendo sacrificada, criando-se uma espécie de “apartheid social”, marginalizando parte da sociedade e criando uma divisão entre os mais abastados e aqueles que nada possuem. Esses, por nada possuírem, acabam, muitas vezes, por se voltar contra a outra parte da sociedade, porque possuem um mínimo indispensável para a sobrevivência, gerando os conflitos sociais, a marginalidade, o tráfico de drogas e outras espécies de delitos.
A pobreza estrutural está presente em todo o mundo e por isso é globalizada, ainda que mais presente nos países de menor desenvolvimento. Esse tipo de pobreza é "generalizada, permanente, global". Seria resultante da convergência de diversas causas que se dão em vários níveis, como algo racional, como resultado necessário de todo o processo e até considerada um fato natural.
Chega-se assim a uma naturalização da pobreza produzida politicamente pelos agentes globais com a participação dos governos nacionais. É a própria exclusão dos pobres de todo o sistema. Ela é generalizada e até administrada. Diferentemente de antes, se o pobre deixasse uma região, muitas vezes encontrava trabalho em outra, como é o caso de muitos retirantes da seca do nordeste que conseguiram se estabelecer em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje a pobreza está globalizada, sem remédio, sem controle, gerada pela expansão do desemprego, pela redução do valor do trabalho, produzida politicamente pelas empresas e instituições globais.
Os pobres e miseráveis brasileiros, os que não possuem casa, comida, escola, saúde, ou seja, aqueles que não têm os mínimos recursos para uma sobrevivência digna, compõem uma população equivalente à de países como a França, ou ao dobro da população da Argentina. Deste modo, os países em desenvolvimento estão cada vez mais se distanciando dos desenvolvidos, em razão do agravamento das diferenças decorrentes do mercado, dos ativos produtivos e da educação, dificultando a diminuição da pobreza.
A globalização está acentuando outros tipos de privações, especialmente para a mulher, o aumento de receita vem unido a graves formas de exploração, como a perda de direitos trabalhistas e uma maior vulnerabilidade frente aos mercados mundiais. A flexibilidade dos mercados tem provocado a violação clara dos direitos fundamentais, ha bem pouco tempo atrás tentaram aprovar a tão temida pelo trabalhador “emenda 3” que se aprovada teria extinguido praticamente todos os direitos conquistados pelo trabalhador durante todos estes anos de luta; essas questões relacionadas com a dignidade, a segurança e a saúde dos indivíduos têm sido omitidas nos atuais debates sobre a globalização no Brasil só se enxerga aquilo que não incomoda e que nos agradável, como o benefícios da tecnologia difundida mundialmente por via da globalização, mesmo que aqui chegue tardiamente, como é o caso da nanotecnologia e da TV digital que só será estabelecida por aqui talvez no final do ano.
A desigualdade social, de outro lado, ao invés de diminuir, aumenta cada vez mais. Isso ocorre em conseqüência de que o desemprego, a queda de renda, atingem, em primeiro lugar, as camadas mais baixas da população. Outro aspecto que tem de ser entendido como forte causador de desigualdade salarial é a falta de acesso do trabalhador à educação. Países como o Brasil têm se preocupado com investimentos em capital físico e tecnológico nessa área, relegando para um nível secundário o investimento em material humano. Aprovação automática, escolas em péssimas condições, má remuneração de professores, má formação dos mesmos, que muitas vezes estão completamente despreparados para exercer sua função etc são alguns dos motivos da precariedade do sistema educacional brasileiro em meio à globalização.
Verifica-se que a falta do trabalho segrega o ser humano, deixando sem condições de acesso à escolaridade ao próprio trabalhador e aos seus filhos, produzindo-se um círculo vicioso de perpetuação da pobreza, sem trabalho digno não há condições dignas de sobrevivência, nem de educação. Sem educação não se pode disputar um mercado de trabalho limitado restrito e distintivo, pois o pobre jamais consegue deixar esse círculo, a menos que, de alguma forma, haja a intervenção de terceiros.
É necessária uma melhor distribuição de renda e de riqueza, uma vez que da riqueza extrai-se renda e com a renda as pessoas podem ter acesso às condições dignas de sobrevivência. Dentre essas riquezas que deverão ser distribuídas está a educação, mas, nessa altura, apenas o investimento nos jovens daria um resultado satisfatório, em razão do tempo necessário a essa preparação, que não é de curto prazo.
O processo seguinte à pobreza é a miséria e, desta, a marginalização daquela parte da população que não possui as condições sociais aceitáveis. As pessoas oprimidas pela pobreza acabam por se distribuir na periferia das grandes cidades, nas favelas, em morros, em locais públicos e, mais recentemente, já passaram a morar ao relento ou embaixo de viadutos, caracterizando-se como miseráveis.Essas condições indignas de sobrevivência contribuem para o aumento da criminalidade. Empreende-se uma luta entre os que nada têm contra aqueles que, na maioria das vezes, pouco têm. Os crimes contra o patrimônio são os que mais ocorrem nas cidades de médio para grande porte.
O aumento da violência urbana e rural demonstra o despreparo do Estado no seu combate. Não necessariamente ao combate direto do crime, com o aumento dos efetivos policiais, disponibilidade de tecnologia e preparo técnico de agentes, remuneração mais digna, mas também ao combate à violência desde o seu nascimento, com políticas de diminuição das desigualdades sociais, através da criação de empregos, da educação gratuita de qualidade, da saúde, etc. A falta dessas condições é que origina a criminalidade, fazendo surgir, dentro do próprio Estado, um tipo de gueto independente, com leis próprias e até mesmo com o emprego da pena de morte. Tudo isso decorrente, da impunidade daqueles que praticam crimes em Estados periféricos, como é o exemplo do Brasil.
As características da globalização do final do século XX e início do século XXI são bastante conhecidas, bem como seus efeitos colaterais, como é o caso da insegurança, geralmente associada à pobreza, gerada pela falta de oportunidades e de condições de sobrevivência do indivíduo. Com isso, as classes sociais mais abastadas acabam por se isolar, construindo verdadeiras fortificações ou cidades independentes com Leis próprias e sistemas de segurança que substituem o Estado no seu dever de prestá-la como recentemente ocorre no bairro dos Jardins na cidade de São Paulo.
Condomínios, como o caso do Alfavile, no Rio de Janeiro, já começam a se proliferar, abrigando, geralmente uma classe média alta, com regulamentos rígidos, muitas vezes contrários a normas jurídicas do Estado de direito, com sistema de segurança próprio e controle efetivo de seus moradores, tecnologias geralmente importadas dos países mais desenvolvidos. São comunidades de classe média que têm medo de criminosos e marginais e desejam viver como famílias tradicionais de países de primeiro mundo, renegando a realidade social de seu próprio país. Escondem-se, para não enxergar essa situação que acaba por separar os pobres dos não pobres. Não vendo possibilidade da diminuição da pobreza e da marginalidade, essas pessoas, geralmente de classe média, acabam construindo um mundo à parte. Entretanto, parece que não pararam para pensar que essa situação, não pode acabar bem.
Como a pobreza e a marginalidade aumentam, vai chegar a hora em que os muros, as cercas eletrônicas, os guardas não conseguirão suportar a fome e a miséria, criando uma guerra entre os cidadãos de um mesmo país.
Esse tipo de discriminação, criada por forte efeito da globalização, provoca a atividade marginal e enfraquece o poder do Estado que passa a não mais comandar os destinos de seus cidadãos, os quais, para não sofrerem mais violência, acabam aceitando a proteção de um poder paralelo alimentado pelo crime, pelo tráfico de drogas e pela lavagem do dinheiro ilícito, surgem as milícias em bairros periféricos, que possuem suas próprias leis.
A globalização, principalmente no sentido econômico, não se daria de forma tão rápida, envolvente e dominante, se não fosse a existência do campo fértil, para ela, do sistema capitalista de governo. Com ele revoluciona-se a forma de vida e de trabalho. O homem adere ao sistema, individualiza-se cada vez mais e é impelido ao consumo desregrado; enquanto possui a mercadoria de troca que é o dinheiro, aderindo às campanhas da grande mídia que impulsiona o consumismo através de seus poderosos veículos. O comércio se expande na busca de matérias–primas, de outras fontes de lucro, ao mesmo tempo em que institui colonialismos, imperialismos, sistemas econômicos, normalmente centralizados em capitais de nações dominantes.
O que está ocorrendo atualmente, é o confronto de forças entre o Estado e o mercado, que não é de hoje. A briga entre o Estado e o Mercado, política e economia é contínua e histórica, apresentando-se como uma onda, onde ora aparece o primeiro, ora o segundo em vantagem. A cada vez que o mercado se torna mais devorador, feroz, selvagem, o Estado deve intervir para domesticá-lo ou evitar seus efeitos devastadores, e isso é possível, principalmente, se a comunidade pública internacional, especialmente, daqueles países mais atingidos pelos aspectos negativos da globalização, como o Brasil, se unir para a tomada de algumas providências de forma coletiva. No entanto as ações tomadas por nosso governo para remediar os efeitos do capital especulativo, do mercado voraz, na população desfavorecida é a realização de ações do tipo “placebo” (pró - jovem, bolsa família etc) com o objetivo de mascarar a realidade, disseminando a idéia de que a partir do estabelecimento desses “programas” a fome vem diminuindo em nosso país.
Os malefícios da globalização em determinados aspectos, gerando a desilusão dos processos não resolvidos, acaba criando grupos antiglobalização, muitas vezes de aspectos racistas, violentos, revolucionários, que nada trarão de proveito à humanidade.Como alternativa, restam, apenas, os governos, esses sim, pessoais, conhecidos como entidades públicas. Só eles poderão conduzir os destinos no mundo de forma coesa e multilateral, usando, no entanto, todo o processo de globalização, com seus sistemas de auxílio à comunidade mundial, pode-se haver globalização sem imperialismo, tecnologia mais acessível a todos, principalmente à educação. Devemos não fechar nossos olhos e nos acomodar a esse sistema excludente, globalizante e altamente imperialista, devemos agir, exigir nossos direitos como cidadãos, educação, saúde, segurança e não permitir a exploração pelas elites do capital dominante, não aceitar as desigualdades tão facilmente e principalmente nos valorizar como seres pensantes, agentes e conscientes de nossa realidade.

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