Agência Rio de Notícias

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

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Falta de reconhecimento, conhecimento e respeito pela história de Sepetiba

“ As águas verdes da memória, onde tudo cai. E é necessário remexer. Algumas coisas tornam a subir à superfície”( Jules Renard)


Há algum tempo venho tentando divulgar a importante história de Sepetiba não só para os moradores do local e das imediações como também para os demais interessados nesta história tão rica, ora, também como não poderia? Sepetiba foi testemunha de diversos eventos históricos importantes, foi palco do encontro entre José Bonifácio e D.Leopoldina em 16 de janeiro de 1822 para tratarem de assuntos referentes à independência, fato comprovado, que podemos averiguar na biografia de José Bonifácio escrita por Octávio Tarquínio de Souza, outras personagens históricas igualmente importantes também passaram por aqui, grandes artistas que buscaram divulgar a beleza do lugar como Debret etc.

Contudo para alguns estes fatos não possuem a mínima importância, uma vez que quando tomamos conhecimento da verdadeira história do local e passeamos um pouco pelo bairro podemos verificar isso claramente, começando pela porta de entrada principal do local, onde se encontra o coreto da praça Washington Luiz, vê-se uma “placa explicativa” colocada pela prefeitura que não explica nada na verdade, pois se quer faz menção ao fato de que o então coreto de Sepetiba, antes localizava-se na praça XV, centro da cidade do Rio de Janeiro, e foi transferido para o bairro de Sepetiba ainda no século XIX, mais à frente encontramos, ou melhor, encontrávamos uma cruz, a qual antigos moradores afirmaram para Alcebíades Rosa tratar-se de uma cruz encontrada pelos índios Tamoios, assim que Sepetiba foi “descoberta” pelos mesmos. Afirmaram também para Alcebíades que a localização desta cruz não havia sido alterada desde então, em frente à colônia de pescadores Z-15.

Por não conhecerem a origem e o significado do objeto os indígenas passaram a reverenciá-la como uma espécie de totem ou algo do gênero todo dia 3 de maio de cada ano, com ladainhas, orações e cantos a partir das 18:00 horas, idêntico ritual era realizado, segundo Alcebíades Rosa na ilha do marinheiro, hoje ilha da pescaria, local onde ocorreu o fuzilamento de aproximadamente 21 marinheiros no dia 6 de Setembro de1894.

Mais a frente encontramos a nossa igreja de São Pedro, também histórica, inaugurada no dia 29 de junho de 1895, pouco tempo depois da tragédia da ilha do marinheiro, seguindo em frente a rua que nos leva a praça Oscar Rossim, pela praia de Sepetiba encontramos outra cruz, para esta existem duas versões, a primeira , afirma que ela seria a sepultura de um dos marinheiros fuzilados, o corpo teria sido encontrado naquele local, e ali mesmo sepultado, a segunda, não muito diferente, assevera que o mesmo marinheiro, antes de ser morto, solicitou ao comandante do pelotão de fuzilamento, para que pudesse descansar em paz, a retirada de um “breve” (espécie de amuleto), feito de pano em pequeno tamanho, pendurado em seu pescoço e ali este “breve foi enterrado. Sua vontade foi feita, foi fuzilado, caiu no mar, seu corpo foi encontrado e sepultaram-no onde hoje se encontra a cruz, segundo Alcebíades Rosa encontrava-se neste breve uma oração de Santa Catarina e um pequeno pedaço de madeira, sem inscrições.
O problema: Estas cruzes, nesta semana foram sumariamente retiradas, sem qualquer cuidado, removidas sem o mínimo respeito, uma delas, a que se encontra no trecho da praia próximo a a praça Oscar Rossim foi atirada na lama. O que há com estas pessoas desinformadas? Tentamos divulgar a história do bairro e resgatar este passado importante, para assim recuperar a auto estima dos moradores, porém alguns não dão a mínima importância para o fato, talvez porque desejem que os moradores de Sepetiba continuem sujeitos a dominação, pois trazer a memória à baila é romper com o processo de alienação, restituindo assim a identidade dos sujeitos históricos.

Daí o interesse de alguns em manter apagada a chama do orgulho dos moradores pelo local onde vivem, a memória possuí uma força explosiva e libertadora, infelizmente com a velocidade de informação, com a compressão do tempo e do espaço comuns na pós modernidade, e/ou contemporaneidade, as memórias se apagam, e isso é muito útil para alguns, como Collor de Melo, dentre outros, enfim como nos lembra muito bem o lema do NOPH, “Um povo só ama aquilo que conhece. um povo só preserva aquilo que ama”, encontrado então o problema de Sepetiba.

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