Agência Rio de Notícias

sábado, 27 de março de 2010

Prostituição ideológica? O que é isso? Um conceito? Justificativa para desonestidade? Conceito criado em mesa de bar?

Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que falei este termo “prostituição ideológica”, foi em uma aula de psicologia social, não me recordo ao certo se no segundo ou terceiro período do curso de ciências sociais. A professora, Ana... alguma coisa, realmente, ela era uma boa professora , mas não consigo lembrar do seu sobrenome, discutíamos nessa aula relações interpessoais e papeis sociais, e então, em um daqueles momentos em que aula é aberta a discussões entre os alunos mediadas pelo professor ou pela professora eu disse: “ Gente! Acho que estou me prostituindo ideologicamente!” – todos riram e perguntaram por que eu havia dito isso, aí eu me expliquei, bem, naquele período as coisas não estavam muito boas financeiramente falando, aliás ainda não estão (risos) eu estava tendo dificuldades para me manter na faculdade e então surgiu uma proposta para trabalhar em um “circo” dos absurdos, com uma ideologia e valores completamente contrários aos meus, mas eu não tinha muita escolha, ou topava gerenciar o picadeiro ou ficava em uma pindaíba!
Aceitei e acabei desempenhando na medida do possível , muito bem o meu papel de palhaça, porém, isso não me foi muito saudável, pois após essa estada eu tive alguns problemas sérios de saúde dos quais eu nunca mais me recuperei, pois eu não consigo ficar bem vendo mentiras e injustiças, e principalmente hipocrisia e demagogia, desenvolvi uma gastrite nervosa e um problema sério de nervos e ansiedade.
Estou escrevendo sobre isso agora porque em uma de minhas pesquisas no querido e útil google me deparei com um texto de Fabrício Pessoa “As Faces da Ganância – Parte II: A Prostituição Ideológica”, e então me surpreendi, pois uma vez ao conversar com um professor sobre a minha vontade de inserir um novo conceito nas ciências sociais ele me desanimou dizendo ser algo inútil e quase que impossível, bem, não pensei mais nisso e agora vejo que não, embora esse rapaz que publicou o texto tenha recebido algumas críticas quanto ao conceito, também teve muitos elogios.
O texto de Fabrício é bastante interessante, porém acredito que faltem alguns tópicos essenciais antes de iniciar com a explanação do “novo” conceito como, por exemplo, o que é ideologia?
Muito resumidamente ideologia é um conjunto de idéias ou pensamentos de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos. A ideologia pode estar ligada tanto a ações políticas, econômicas como sociais. O termo ideologia foi usado de forma acentuada pelo filósofo Antoine Destutt de Tracy, no século XIX ( mais ou menos 1851 ?).
O conceito de ideologia foi abundantemente utilizado por Karl Marx, que atrelava a ideologia aos sistemas teóricos. De acordo com Marx, a ideologia da classe dominante tinha como objetivo manter os mais ricos no controle da sociedade. Ideologia no pensamento Marxista (materialismo dialético) é um conjunto de teorias organizadas, na sociedade burguesa, com o escopo de dissimular os interesses da classe dominante com o interesse coletivo, construindo uma hegemonia daquela classe. A manutenção da ordem social requer dessa maneira menor uso da violência através de força explícita, a ideologia torna-se um dos instrumentos da reprodução do status quo e da própria sociedade.
Ideologia na verdade, não é algo que não vem “por trás”, como uma mensagem subliminar ou algo do tipo, ideologia é o que vem em primeiro plano, é o que está “na frente”. A ideologia e a propaganda são “parentas” não distantes, e a semelhança familiar é justamente esta: ambas querem aparecer.
A primeira particularidade de um conjunto de idéias que se pode chamar de ideologia é a de vir em primeiro plano. A segunda característica é a busca de universalidade a qualquer preço. Um conjunto de idéias que é bem característico, que não tem grande força lógica para se tornar universal e, no entanto, busca se tornar universal e quer ser uma verdade independente de todos e uma verdade para todos, já pode ser considerado ideologia. É próprio de um conjunto de idéias que se quer transformar em ideologia procurar se colocar de modo abstrato, para ganhar universalidade. A terceira característica da ideologia é que ela almeja mostrar uma verdade “que se tem de seguir”. A proteção contra a ideologia é o uso da razão. Entretanto, valae a pena ressaltar que o uso da razão, a racionalização de tudo, pode também ser ideológica.

Agora iremos nos ater a segunda questão: O que é prostituição? A prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afetivos ou prazer. Apesar de comumente a prostituição consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra. Pode-se trocar relações sexuais por favorecimento profissional, por bens materiais (incluindo-se o dinheiro), por informação, também pode-se trocar outras coisas, trocar, permutar, sua presença, seu trabalho, sua palavra, discursos e mesmo sua ideologia por dinheiro, dentre muitas outras coisas. Acho que foi isso o que o amigo quis dizer, achei ótimo que alguém tenha tornado público esse “novo” conceito.
Prostituir-se ideológicamente é nada mais nada menos do que participar de ações, movimentos, proferir discursos etc. contrários ao que você ou outrem acreditam de fato, contrários as suas convicções, a sua ideologia, em troca de alguma coisa, dinheiro, posição social, favorecimento político etc.
Porém, ficam várias dúvidas e uma delas refere-se ao fato de que alguém que se prostituí ideologicamente não tem caráter? é vítima das circunstâncias? ou deixa-se levar pela necessidade?
Respondo a essa dúvida : De fato, acredito que a grande maioria das pessoas que vemos por aí trabalhando para políticos pilantras, inescrupulosos etc. nem sempre são iguais a eles, muitas vezes são corrompidos, ou “reféns” do dinheiro, e de outras coisas, esse papo de dizer, “fulano não presta, é um hipócrita! Está trabalhando com sicrano que é um político ladrão!” Ou “esse povo pobre tem que sofrer! Chegam as eleições e eles se vendem por votos!” – Muitas vezes algumas pessoas que vendem seus votos não tem discernimento para compreender o alcance de tal ato, ou então não tem o que comer e precisam cooptar com isso, além de necessidade ou por coação.
Enfim, trata-se de um problema social gravíssimo, abrangente e preocupante, parabéns Fabrício!!!!!

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